terça-feira, 19 de agosto de 2014

Carlos Careqa - Não Sou Filho de Ninguém (2004)

Neste disco, temos uma parceria de Carlos Careqa com Paulo Leminski, a canção Isto. Temos, ainda, um trecho de Verdura, do Leminski, que aparece recitada, na voz de Alice Ruiz, como música incidental da faixa Issi.
"Este é o terceiro CD de Carlos Careqa, que nos traz uma variedade de ritmos e propostas musicais. Produzido por Marcos Vaz, Mario Manga, Gabriel Levy, André Abujamra e pelo próprio Carlos Careqa, mistura timbres e provoca o ouvinte a uma reflexão das atualidades brasileiras e mundiais. Conta com participações especiais de: Zeca Baleiro, Mario Manga, Chico César, Edson Cordeiro, Vania Abreu, Jards Macalé e André Abujamra."(fonte: http://tratore.com.br/um_cd.php?id=207)

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sábado, 16 de agosto de 2014

Maísa Moura - Moira (2007)

Neste disco, ouvimos a canção Ímpar ou ímpar. Seu texto é um poema originalmente publicado em livro póstumo de Leminski, La Vie En Close, de 1991, que foi musicado posteriormente por sua filha, Estrela Leminski, também poeta e compositora. Além da bela versão musical do poema em questão, poderia destacar outras músicas do disco que, com certeza, em função de seu estremo bom gosto e da qualidade das canções e da cantora, vale a pena ser escutado com atenção. As que me "bateram", portando: Solstício de Inverno; Mortal Loucura (linda versão José Miguel Wisnik para poema de Gregório de Matos); Sombra. O título do CD é, provavelmente, de inspiração Leminskiana, trazendo, como epígrafe, trecho do seu livro Metaformose: "...começa realizar seu destino, o desejo da Moira, do fado, da fortuna, das potências cegas do acaso que tudo regem na terra e nos céus, na vida dos deuses e na vida dos homens, reflexo da ordem suprema."
Mais sobre o disco:
http://lojamusicaquevemdeminas.blogspot.com.br/2011/11/maisa-moura-moira-2007.html

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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Arrigo Barnabé - Ed Mort - Trilha Sonora Original (1996)

Este filme, baseado em personagem criado por Luis Fernando Veríssimo, além de ser realmente muito engraçado, é entremeado de ironia, bem como muita crítica. No álbum, além da música original, assinada por Arrigo Barnabé, ainda constam cinco outras composições de outros autores. Eu destacaria o próprio tema instrumental, Ed Mort, e também a canção Fique em Frente a TV, do diretor Alain Fresnot em parceria com Camila Ribas, que confirmam o caráter, por vezes, crítico do filme: "Fique em frente a TV, coma em frente a TV, estude em frente a TV, VIVA em frente a TV!". Do Leminski, podemos ouvir, Polonaise. Trata-se de uma transcriação dele de um poema do escritor polaco Adam Mickiewicz, musicada posteriormente por José Miguel Wisnik. A canção também foi gravada por Wisnik, no seu disco de 1992, e no disco Ponte Aérea, de Eveline Hecker, 2003.

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domingo, 20 de julho de 2014

Moraes Moreira - Coisa Acesa (1982)

Esse disco é muito legal. Não é a toa que muito se falou nele, ou, pelo menos, das minha pesquisas, é o que mais pude achar referências de imprensa. Quando do seu lançamento, duas grandes reportagens foram publicadas, uma na revista Isto É e outra na Veja (a velha Veja). No final do post você pode dar uma espiada nelas. Sobre a música, como um todo, o que falar? Da minha parte, vou apenas frisar a qualidade da gravação, com ótimos músicos, e também frisar a qualidade das canções, bastante inventivas e "pra frente". De resto, já há idéias interessantes nos dois artigos.
Sendo assim, vamos ao que interessa ao nosso blog, as parcerias com Leminski. Ao todo, contém três canções, sendo o disco de Moraes com mais parcerias com Leminski. São elas: Baile No Meu Coração, Decote Pronunciado e Pernambuco "Meu". Dessas, a que mais gosto é a última. Trata-se de um frevo super tematizado, uma homenagem ao estado de Pernambuco. Aliás, não sou apenas eu que tem uma caída pela música. Veja o que escreve o crítico da Veja: "Na melhor delas, Pernambuco "Meu", fica evidente que a combinação entre a música leve e ensolarada de Moraes e a elaborada poesia de Leminski, forte em temperos concretistas, é uma achado original." Muito legal a lembrança do articulista, sobre a questão da junção de música e letra. O autor da revista Isto É também salientou tal característica, chegando a nomear as parcerias do disco de "simbiose perfeita" de música de letra. Se você quiser ver uma análise mais aprofundada de Pernambuco "Meu", você a encontrará nessa dissertação. A análise se baseia em conceitos do compositor, pesquisador e professor Luiz Tatit. Bom, acho que é isso.

Revista Veja, 06 de out. de 1982:

FREVO ROMÂNTICO – Em seu novo LP, COISA ACESA, Moraes Moreira prova que sua caixa de surpresas continua sortida. Descobrindo uma súbita empatia entre sua música e o trabalho do poeta paranaense Paulo Leminski – que depois de livros controvertidos, como Catatau, tornou-se letrista habitual nos LPs de Caetano Veloso e do grupo A Cor do Som -, entabulou uma explosiva parceria que rendeu mais de uma dezena de canções em esparsos encontros, gerou o novo sucesso de Ney Mato Grosso, Promessa Demais, tema da novela Paraíso, e três das faixas do novo disco. Na melhor delas, Pernambuco "Meu", fica evidente que a combinação entre a música leve e ensolarada de Moraes e a elaborada poesia de Leminski, forte em temperos concretistas, é uma achado original. "Foi Paixão à primeira vista", diverte-se Leminski, que dedicou ainda um bonito poema ao parceiro. "Logo que o conheci, senti que a amizade ia acabar em música", responde Moraes. Musicalmente, Pernambuco "Meu" é também uma espécie de resumo das idéias contidas no disco. Ainda fascinado pelo frevo mas disposto a não repetir fórmulas por simples conveniência, Moraes trocou o clima apoteótico de Festa do Interior pelo chamado "frevo-canção" – de andamento mais lento, rico em tons menores e, portanto, mais dolente – e por canções de um romantismo hoje pouco frequênte em sua obra. Em Marília, por exemplo, [...]
PONTO DE EQUILÍBRIO – São manobras como essa que garantem a Moraes Moreira o raro dom de fazer muito sucesso popular com canções ousadas e inovadoras, sem amargar as desventuras da vanguarda. É um ponto de equilíbrio que Caetano Veloso, por exemplo, só encontrou há três anos, quando passou a vender muitos discos. Mesmo sendo o melhor poeta da música popular brasileira, porém, Caetano, como Milton Nascimento, Gilberto Gil ou Chico Buarque, percorre uma rotina de canções inspiradas que lança a cada disco, reclama quando lhe cobram alquimias diferentes e assume a própria preguiça. Entre os compositores de muito sucesso e muito talento no país, Moraes é o único a combinar a inquietude de Arrigo Barnabé com o carisma de Simone. Vende mais de 150 000 cópias de cada um de seus LPs, lota ginásios pelo país e fornece punhados de êxitos a outros intérpretes. Mas preserva a vocação para o risco. Ao combinar os dois processos, ele detém, no momento, o posto de compositor de maior vitalidade da música brasileira.

[Link deletado pela política de direitos autorais do blogspot]

Revista Isto É, 29 de set., 1982

domingo, 4 de maio de 2014

Clínica - Clínica (1988)

Neste disco, podemos ouvir a única parceria de Leminski e Arnaldo Antunes, a canção U.T.I.. Trauma, primeira faixa do Lp, alcançou relativo sucesso, pois fez parte da trilha sonora da novela Sassaricando, da rede Globo.

"Seguindo os passos de Charles Gavin, mais um Titã vem produzir uma banda emergente. Sob os auspícios de Paulo Miklos, a Clínica é administrada a quatro mãos por Fernando Salém e Tuba (ex-Aguilar e Banda Performática), que dominam com razoável desenvoltura as especialidades do pop, hip hop, reggae e assemelhados. O resultado, no entanto, não é muito animador. De imediato, percebe-se que o tratamento proposto pela dupla produziu efeitos colaterais indesejáveis, sendo o mais grave de todos eles a chamada "síndrome titânica"... Faixas como "Perturbação Mental" e "Cadeia" foram muito afetadas; a última, inclusive, traz o ilustratívo refrão "cadeia para mim não, não". em contraponto ao da já célebre "Polícia". Estaria a gravadora estimulando a competição interna ou disposta a criar uma linhagem de clones?"
(fonte: http://lagrimapsicodelica2.blogspot.com.br/2007/04/clinica.html)

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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Edvaldo Santana - Tá Assustado? (1995)

Neste CD, podemos ouvir uma parceria de Leminski com Edvaldo Santana, a canção O Deus.

"Inicialmente, apareceu para o grande público paulista, em 1976, quando lançou o LP "Matéria-prima", pela gravadora Chanteclair.
No ano de 1978 gravou o LP "Entranhas do horizonte", lançado pela gravadora CBS.
No ano de 1985, participou da coletânea "Movimento popular de arte", que reuniu diversos autores novos. Por essa época, participou do programa "Ensaio", da TV Cultura de São Paulo.
Em 1993, a gravadora Camerati lançou em LP e CD o disco "Lobo solitário". Deste disco, destacaram-se duas composições suas que fizeram razoável sucesso, entre elas, "A Rússia pegou fogo na Sapucaí" e "Sabonete". Por essa época, participou do projeto "Novo Canto", de São Paulo, ao lado de Arnaldo Antunes, Djavan, entre outros. No ano seguinte, a Revista Áudio News lançou o CD "Vanguarda da música popular brasileira". Neste disco também participaram Grupo Batacotô, Paula Morelenbaum, Tetê Espíndola, José Miguel Wisnik, Carlos Careqa, Bocato, Eliete Negreiros, Arrigo Barnabé e Edvaldo Santana. No CD participou com as composições "A Rússia pegou fogo na Sapucaí" e "Sabonete".
No ano de 1995, a gravadora Velas lançou o CD "Tá assustado?". Neste mesmo ano, participou do "Festival de Inverno de Ouro Preto", em Minas Gerais. No ano posterior, a cantora mineira Titane gravou em seu CD "Inseto raro", a composição "Torto", parceria de Edvaldo Santana e Haroldo de Campos.
Em 1997, novamente a Revista Áudio News, distribuída nas bancas de todo o Brasil, o incluiu em outra coletânea sua, "Momento MPB", na qual no qual participaram Boca Livre, Chico César, Flávio Venturini, Grupo Batacotô, Vânia Bastos, Almir Sater, a dupla Pena Branca e Xavantinho, Ivan Lins e Rosa Passos. Nesta coletânea participou cantando de sua autoria "Cabeça ocupada".
No ano de 1998, participou da coletânea "Liberdade de expressão". Por essa época, participou do "Projeto Mundão", ao lado de Thaíde, Magic Slin, entre outros.
Lançou em 1999, o CD "Edvaldo Santana", pela gravadora Tom Brasil, no qual prestou homenagem ao guitarrista porto-riquenho Carlos Santana na música "Mestiça" e ainda contou com as participações especiais de Bocato e a cantora Titane. Constam, também, neste mesmo CD, composições suas em parceria com Arnaldo Antunes, Paulo Leminski, Itamar Assumpção e com seu pai, já falecido, Félix de Santana Braga. Ainda sobre esse mesmo disco, vale destacar a apresentação feita por Tom Zé e a capa produzida pelo artista gráfico Elifas Andreato. Neste mesmo ano, apresentou-se no programa "Bem Brasil", da TV Cultura.
Em 2000, Titane regravou "Zensider" (c/ Ademir Assunção) em seu disco "Sá rainha", lançado pelo selo Lapa Discos.
No ano de 2003 lançou o CD "Amor de periferia", do qual participaram Lenine na faixa "O jogador", Zélia Duncan em "Desse fruto", o Quinteto em Branco e Preto em "Batelaje", Nuno Mindelis em "Guilhotina" e o cubano Yaniel Matos tocando piano nas faixas "Choro de outono" e "Cantora de cabaré".
Em 2012 lançou o CD "Jataí", no qual contou com as participações especiais do músico Paulo Lepetit e da cantora Fabiana Cozza.
" (fonte: http://www.dicionariompb.com.br/edvaldo-santana/dados-artisticos)

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domingo, 13 de abril de 2014

Eveline Hecker - Ponte Aérea (2003)

Neste disco está a canção Polonaise. Trata-se de um poema do poeta polonês Adam Micéiewicz, traduzido (trans-criado) por Leminski e música posteriormente por José Miguel Wisnik. O poema aparece como epígrafe do livro Polonaise, de Leminski, cujo título e alguns poemas lembram a sua ascendência "polaca". Curiosamente, Adam Micéiewicz é contemporâneo do compositor polonês Chopin, ícone da dança em forma ternária, a polonaise.
Um pouco mais sobre o disco:

"Uma ponte entre Rio e São Paulo. Uma ponte entre o reconhecido e o desconhecido. Foi assim que chegou aos meus ouvidos o trabalho de Eveline Hecker, Ponte Aérea, lançado pela Biscoito Fino. A moça, antiga vocalista de Tom Jobim, saboreia cada acento das composições de José Miguel Wisnik, seu amigo e parceiro de longa data e sobre o qual Beth Carvalho, num determinado momento, afirmou que estava para Eveline assim como Nelson Cavaquinho estava pra ela. "Parecia que eram parceiros pela afinidade musical". Creio que Beth estava certa, este conjunto, que transcende ao disco, faz com que o trabalho mereça ser saboreado com calma e atenção.

Eu, que não a conhecia, deslumbrei-me com o tom intimista e a primazia do instrumental que valoriza esse traço. O timbre lembra Mônica Salmaso. Sutil, como o das damas da bossa, faz com que a voz aveludada caminhe de braços dados com cada tecla do piano tocado por Wisnik. A música que dá título ao disco é um bom exemplo disso, uma divisão perfeita faz com que os tons vocais preencham qualquer lacuna instrumental que poderia existir. Os acordes têm bastante de bossa, mas muito da música portuguesa também. Traço que confere melancolia em vários instantes. Sensação brevemente quebrada pelo samba marcadinho, "Comida e Bebida", anteriormente gravado por Elza Soares, mas logo retomada numa segunda audição já detentora de um novo olhar. No bis, o melancólico foge, ou acentua-se, no samba, "Viúvo"/"O Tempo Não Apagou", onde Paulinho da Viola é citado. Eveline, que já trabalhou com Beth Carvalho e atuou durante seis anos no grupo Arranco, mostra que conhece o tom do samba. Bem acompanhada por Maurício Carrilho (violão), Pedro Amorim (bandolim), Luciana Rabello (cavaquinho), entre outros, mostra novamente um casamento perfeito.

Escrevo ainda em estado de êxtase, mas sem propriedade para delinear a amplitude do trabalho. Gostei, gostei muito. Creio que este texto mereça a ser reescrito daqui um mês, um ano, pois como Zeca Assumpção afirmou, "Poderemos contar e cantar com ele mesmo em um futuro ainda distante. Penso que estará forte ainda".

Ponte Aérea - Eveline Hecker
Composições de José Miguel Wisnik
Produção: Zeca Assumpção
Gravadora: Biscoito Fino

Músicos:
Piano: José Miguel Wisnik
Sampler e teclados: Sacha Amback
Percussão: Marcos Suzano / Marcelo Costa / Celsinho Silva
Baixo acústico: Zeca Assumpção
Violão: Maurício Carrilho / Ricardo Silveira / Mário Adnet
Violão 7 cordas: Luiz Otávio Braga
Bandolim: Pedro Amorim
Cavaquinho: Luciana Rabello
Cello: Jaques Morelenbaum
Viola e Violão 12 cordas: Luiz Brasil"

(fonte: Tatiane Marchesan, 
http://www.brasileirinho.mus.br/artigos/evelinehecker.html)

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